"Zezé di Camargo e Luciano" são adotados por mãe de pelúcia

Da barriga da mãe para o colo de um bichinho de pelúcia. Foi essa a solução encontrada pelos veterinários do Jardim Zoológico de Niterói para evitar que os micos-estrela, que nasceram ontem milagrosamente em pleno asfato, não sentem tanta falta da mãe que morreu num atropelamento na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo. Veja o vídeo do IG/Reuters.

Batizados de "Zezé di Camargo e Luciano", os dois filhotes passam bem. Depois de passarem a noite no oxigênio, os micos-estrela estão sendo amamentados de duas em duas horas com leite especial para recém-nascidos humanos, aplicados com conta-gotas.

Os micos estão sendo tratados pelo veterinário André Sena Maia, do Jardim Zoológico de Niterói, em sua casa. "Para não ter que dormir no consultório, decidi levar os dois para casa, porque eles precisam ser amamentados de duas em duas horas", explica.

A mãe substituta foi providenciada no próprio consultório, um macaquinho de pelúcia que o veterinário tinha ganhado de presente de um cliente. Para que fiquem quentinhos da mesma forma que estariam se estivessem no colo da fêmea, Maia tirou o miolo do bicho de pelúcio e colocou dentro uma garrafa términa com água quente.

"Minha noiva tem ajudado a fazer também o papel de mãe de pele e cuidado deles", diz. O veterinário considera a sobrevivência dos filhotes algo inacreditável e afirma que não há registro de nada parecido. "É algo mais difícil que o alinhamento dos planetas. Foi realmente um milagre", diz. "O carro passou totalmente sobre a cabeça e o corpo da mãe. A barriga literalmente explodiu, o que permitiu que os filhotes saíssem sem qualquer ferimento", diz.

Segundo Maia, outro fator determinante para a sobrevivência dos micos é que a mãe já estava na última semana de gestação. "Eles estão com 18 gramas, pouca coisa abaixo do peso normal de um recém-nascido. Mas a recupração deles está sendo extraordinária", afirma.

A fêmea grávida foi atropelada depois de cair de uma árvore. Um porteiro encontrou os animais, pediu ajuda a um gari e chamaram os bombeiros, que levou os bichinhos para o Zoológico de Niterói.

Zezé di Camargo e Luciano devem passar pelo menos mais três semanas sendo amamentados com conta-gotas. Em seguida, eles devem ganhar um espaço próprio no Zoológico. Mas, segundo Maia, a intenção é tentar reintegrá-los à natureza após eles atingirem quatro ou cinco meses.

Para tanto, o veterinário irá tentar uma experiência inédita. Ele está mantendo a fêmea morta congelada para mais tarde retirar os odores naturais dela e aplicar nos filhotes, na expectativa que outra fêmea reconheça o odor e adote os filhotes. "Essa espécie é uma sociedade extremamente matriarcal. Eles vivem em comunidade, mas quem manda é mãe", afirma. "A gente não sabe se vai dar certo, mas vamos tentar".

O mico-estrela ou sagui do tufo branco foi introduzida no Rio de Janeiro e 1910, vinda do Nordeste. Estima-se que existam cerca de 16 mil deles vivendo na Floresta da Tijuca, no Rio.

O veterinário alerta que quem compra esses tipos de filhotes está contribuindo para a morte das mães. "Os caçadores têm que matar a mãe para conseguir capturar os filhotes, porque a mãe não larga dos filhotes de jeito nenhum", explica.


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