Cientistas estudam família de humanos quadrúpedes

A BBC exibiu na TV britânica neste mês de março um documentário sobre cinco irmãos em um pequeno vilarejo na Turquia que costumam andar de quatro e que poderiam oferecer à ciência dicas sobre a evolução humana, de acordo com a opinião desses cientistas que não acreditam na Criação divina da raça humana.

A família é bastante pobre e teve pouco acompanhamento médico. Os pais, parentes próximos, tiveram 19 filhos.

A maioria não apresentou anomalias, mas seis nasceram com o que parece ser pequenos danos cerebrais. Quatro deles, entre 18 e 34 anos de idade, andam como quadrúpedes. Eles são considerados párias pelos outros habitantes da vila.

Três das moças e o irmão sempre se locomoveram de quatro, mas uma irmã alterna a locomoção quadrúpede com um ocasional andar ereto. Um outro irmão anda sobre dois pés o tempo todo, mas com dificuldades.

Para quem acredita na teoria da Evolução, as quatro irmãs e o irmão poderiam ajudar a mostrar como nossos ancestrais passaram a andar sobre dois pés aos invés de quatro patas, acredita o pesquisador britânico Nicholas Humphrey.

O cientista britânico acredita que o processo que levou os homens a andarem eretos foi complexo e envolveu modificações no esqueleto e na própria genética da espécie.

O método de locomoção usado por eles difere do de outras espécies próximas, como os chipanzés e gorilas, que apóiam o peso de seus corpos nas juntas de seus dedos.

Segundo reportagem da revista Veja, "os chimpanzés, espécie da qual a família humana se separou há 6 milhões de anos, usam os nós dos dedos como apoio para se locomover. Os cinco irmãos não andam desse jeito. Eles se locomovem com as mãos espalmadas, pernas eretas e glúteos virados para cima. O irmão mais velho é o mais ágil entre eles. Percorre grandes distâncias todos os dias recolhendo garrafas plásticas, com cuja venda ajuda a sustentar a família. Os cinco conseguem falar, mas vivem praticamente como bebês. A mãe é responsável pelo banho e cuidados pessoais. Na maior parte do tempo, ficam em casa vendo televisão. Quando saem, freqüentemente são insultados e agredidos – até com pedras – por crianças e outras pessoas do vilarejo onde moram."

Genes

Os irmãos turcos se apóiam nos punhos, levantando os dedos para caminhar. Isso impede que eles danifiquem seus dedos. "As garotas podem tricotar, por exemplo", diz o Dr. Humphrey, que acredita ter sido essa a forma que ancestrais humanos encontraram para manter seus dedos ágeis, podendo então manejar ferramentas e precipitando todo um processo de evolução do corpo e da mente. Ele acredita que a anormalidade registrada no cérebro deles seria a responsável pelo fenômeno.

Humphrey rejeita, entretanto, a idéia de que exista um gene que determine se uma espécie é bípede ou quadrúpede. Essa idéia é defendida por um grupo de pesquisadores alemães.

A equipe liderada por Stefan Mundlos do Instituto Max Planck de Berlim isolou o gene no cromossomo 17 e acredita que uma anormalidade nele levaria os irmãos a se locomover desta forma.


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