"Baratão do esgoto de Sorocaba" foi encontrado pela
Petrobrás

O caso do suposto "baratão do esgoto de
Sorocaba", SP, que teria sido encontrado e morto numa boca-de-lobo por
um funcionário do Saae, depois de morder-lhe a perna, é apenas mais um
dos milhares de boatos que circulam pela internet, através de e-mails. O
mistério, que havia sido esclarecido em
reportajem do Jornal do
Brasil de 26 de junho de 2004,
retornou à rede mundial, após a edição de uma das imagens da divulgação
inicial que trazia o logotipo da Petrobrás no arquivo sobre o qual o
animal foi fotografado (fotos).

Segundo
a reportagem do JB, que reproduzimos a partir daqui, circula entre
funcionários da Petrobras um e-mail interno com o título ''tatuí
extragrande'', e os seguintes dizeres: encontrado pelo ROV (robô) da
Petrobras a 1.680 metros de profundidade, na bacia de Campos. O e-mail
mostra duas fotografias de supostos funcionários com o curioso animal.
Numa delas, o bicho aparece cobrindo um fichário da empresa de
aproximadamente 30 centímetros. Na foto, é possível ver de perto seu
abdôme.
Embora não tenha confirmado oficialmente
a captura do bichinho, a Petrobras é a única na região com tecnologia
capaz de chegar ao seu habitat natural: mais de mil metros de
profundidade.
A informação é da bióloga Cristina de Matos, professora do Departamento
de Zoologia da UFRJ, e especialista em carcinologia (ramo da zoologia
que estuda os crustáceos).
Cristina ensina ainda que o animal está
longe de ser um tatuí. Trata-se de um bathynomus, cuja espécie
não pôde ser identificada através das fotos. Mais próximo do animal é a
barata- da-praia, descendente da mesma ordem que ele: isópoda. Já o
tatuí é um decápoda, uma família mais distante. A professora, que guarda
em sua coleção pessoal um exemplar do animal, espantou-se com o tamanho
do bicho, que considerou bastante grande em relação aos que já havia
visto.
-- O bathynomus é muito comum em águas profundas. Ele pode chegar, em
média, a 35 centímetros e pesar aproximadamente um quilo. Pela sua
estrutura diria que é um macho, bem grande por sinal -- avalia a
bióloga, ao examinar as duas fotos digitais.
Este gênero de isópoda é um predador que se alimenta de peixes e outros
crustáceos encontrados no fundo do oceano. De acordo com a especialista,
a frota pesqueira brasileira não trabalha em tais níveis de
profundidade, por isso ele é um animal tão desconhecido do público.
Porém, de acordo com Cristina, um projeto da Petrobras em parceria com a
universidade vem transferindo novos exemplares ao Museu Nacional, na
Quinta da Boa Vista, onde podem ser vistos animais como este, além de
peixes ''muito estranhos'', nas palavras da bióloga.
Cristina diz ainda que, no Japão, onde se pesca em profundidade, este
tipo de crustáceo é normalmente consumido, bem como lagostas e camarões
bastante diferentes dos que conhecemos por aqui.
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