As
organizações de defesa dos direitos indígenas e do meio ambiente estão
alertando a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério Público, o
governo federal e autoridades de Rondônia sobre o aumento de tensão na terra
indígena Jamari, onde há uma semana os índios Uru-eu-wau-wau tiveram um
conflito com um invasor reconhecido como Joaquim e revidaram com flechadas,
matando-o.
Com passaporte registrando passagens por vários países, o invasor morto pode
ser um missionário, de acordo com fontes da polícia em Rondônia. O incidente
ocorreu a 18 quilômetros do Posto Indígena Jamari, onde o invasor havia
desmatado, destruído um barranco de caça (onde animais vão beber água ),
plantado e construído uma cabana apesar dos alertas anteriores dos índios. Ao
ser avisado pela segunda vez, ele teria atacado um grupo de índios encarregados
de fiscalizar suas terras e levou oito flechadas.
Alguns meses atrás, após várias denúncias da ONG Kanindé, houve uma operação
da Funai, Polícia Florestal e Polícia Federal na região do rio Jamari, onde
foram constatados grandes danos ao meio ambiente, com queimadas de florestas da
terra indígena, construção de moradias e a presença de invasores. Algumas
pessoas foram presas mas saíram após 20 dias.
Os conflitos na região dos Uru-eu-wau-wau tem-se tornando cada vez mais
frequentes e a associação de defesa etnoambiental Kanindé está alertando
para a ameaça de novos enfrentamentos caso as autoridades não tomem providências
para impedir a invasão da terra indígena. (Mais
informações em www.kaninde.org.br