Siamesas de 28 anos arriscam tudo em cirurgia de separação

Cirurgiões de Cingapura devem entrar para os anais da medicina ao tentar separar, no próximo mês, duas gêmeas adultas unidas pela cabeça. Keith Goh, que comandará a equipe, disse ontem que as duas mulheres, as iranianas Laleh e Ladan Bijani, haviam pedido para submeter-se à arriscada operação, que pode matar ou deixar incapaz uma delas ou as duas.

"Estamos contentes e animadas com a cirurgia", disse Ladan Bijani, que como a irmã é bacharel em direito. "Estamos um pouco tensas também, mas o sentimento preponderante é o de alegria. Esperamos muito tempo por isso."

De acordo com pessoas próximas à equipe, os médicos resolveram fazer a arriscada operação porque, depois de 28 anos, as duas irmãs desejam viver separadas. Os gêmeos unidos pela cabeça aparecem uma vez a cada 2 milhões de crianças nascidas vivas.

As gêmeas Bijani chegaram a Cingapura em novembro passado para realizar testes clínicos e psicológicos. Goh afirmou que a operação seria realizável porque as duas mulheres possuíam cérebros anatomica-mente separados. Em 1996, médicos alemães recusaram-se a operar as iranianas, temendo pela vida delas.

As gêmeas pretendem trabalhar em áreas diferentes, jornalismo e direito, e contam com o apoio da família para a cirurgia. Sobre a justificativa médica para a operação, Goh declarou: "A infelicidade afeta a qualidade de vida. Temos de estar convencidos de que a qualidade de vidas delas é ruim a ponto de justificar a cirurgia."

Aos especialistas de Cingapura, devem se unir médicos dos EUA, da França, do Japão e da Suíça. O procedimento está previsto para durar ao menos três dias e custará US$ 289 mil. Em abril de 2001, uma equipe liderada por Goh, no Hospital Geral de Cingapura, separou, em uma cirurgia de quatro dias, os crânios e os cérebros entrelaçados de duas meninas de 11 meses, Jamuna e Ganga Shrestha, vindas do Nepal. (Agência Reuters.)


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