DISQUE-EXTORSÃO:
Presidiários usam celulares para extorquir comerciantes
Agentes
apreendem celulares em presídio de Bangu, RJ, e descobrem que oito detentos
praticaram o golpe contra 300 comerciantes.
Os presos, do
Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, ameaçavam os lojistas e exigiam dinheiro
ou códigos para cartões de celulares pré-pagos.
A apreensão de um celular em poder de
um detento do Instituto Plácido de Sá Carvalho, no Complexo de Bangu, chamou a
atenção da polícia para uma quadrilha de presos que praticava o golpe apelidado de
"Disque-Extorsão" de dentro da cadeia.
A partir da descoberta, durante
revista na penitenciária, foi revelado que oito presos chegaram a ligar para pelo
menos 300 comerciantes de vários pontos da cidade ameaçando-os e exigindo dinheiro
ou códigos de cartões telefônicos para que eles continuassem a utilizar os
aparelhos pré-pagos.
Dois dos bandidos já foram identificados: João Marcelo de Lima, que cumpre pena na
cela B-07, e Alex Xavier Batista, encarcerado na cela B-05. Eles já prestaram
depoimento na 34ª DP (Bangu) e vão ser processados pelos crimes de extorsão e
associação para o tráfico, já que nas ligações para os lojistas os bandidos diziam
ser das facções criminosas Comando Vermelho e Terceiro Comando.
Os presos tinham até um catálogo da
Rio Listas, edição 2003/2004, para selecionar as suas vítimas. Na revista
realizada mês passado, foram achados ainda quatro carregadores e anotações de
nomes e números em cadernos e agendas.
Segundo o delegado Nerval Goulart, os
bandidos faziam ameaças ‘personalizadas’. “Se, por exemplo, o comerciante era da
Tijuca, os autores da extorsão diziam que eram traficantes do Morro do Salgueiro e
pediam uma ajuda em dinheiro para os cúmplices que estavam na cadeia. Se a quantia
não fosse paga, eles ameaçavam invadir e destruir a loja”, explicou o policial.
“Como as vítimas se recusavam a ir até o morro para pagar o valor exigido, eles
então pediam os números de 50 a 100 cartões telefônicos.”
As informações acima são do jornal O
Dia, mas há indícios de que golpe semelhante esteja sendo aplicado contra
comerciantes e outros profissionais da Capital. A denúncia foi feita nesta
segunda-feira à tarde, no programa O Povo na TV, apresentado pelo deputado
Maurício Picarelli (PTB-MS). |