Festa sangrenta proibida por Saddam, terminou com 182 mortos por bombas


(Esta e as outras fotos que ilustram essa matéria foram
tiradas antes das explosões.)

Pelo menos 182 pessoas morreram e 566 ficaram feridas na manhã desta terça-feira em atentados quase simultâneos cometidos numa mesquita xiita de Bagdá e na cidade santa xiita de Kerbala, quando milhões de fiéis celebravam a festa religiosa da Ashura, que recorda a morte de Hussein, o imã mais venerado dos muçulmanos e neto do profeta Maomé.

Foi o dia mais sangrento no Iraque desde a queda de Saddam Hussein em abril de 2003. O juiz iraquiano que investiga as explosões na cidade santa xiita de Karbala, Ahmed al-Hillali, informou que 112 pessoas morreram e 235 ficaram feridas.

Em Bagdá, o ministro iraquiano da Saúde, Khodayir Abbas, disse que pelo menos 70 pessoas morreram durante o ataque contra uma mesquita xiita no nordeste da capital e que havia 321 feridos. "A contagem poderá aumentar", destacou o ministro, que visitou os hospitais onde estão os feridos.

As explosões provocaram cenas de pânico e tumultos no centro da cidade de Kerbala. A emissora de televisão Al-Arabiya mostrou imagens de corpos, alguns decapitados e espalhados nas ruas de Kerbala, além de pessoas socorrendo os feridos e mulheres de negro chorando seus mortos.

Durante o período em que comandou o Iraque, Saddam Hussein havia proibido a comemoração dessa festa sangrenta, em que os xiitas praticam a auto-flagelação, em homenagem a um dos netos de Maomé.

A Ashura é um ritual observado por milhões de xiitas para comemorar a violenta morte de Hussein, seu imã mais venerado. Comemorada no décimo dia do mês muçulmano de Moharram, é o ponto culminante do luto xiita que, todos os anos, revive de forma passional a violenta morte, em Kerbala, do imã Hussein, neto do profeta Maomé, morto e 680 pelos homens do califa sunita Jazid. A tradição conta que Hussein foi decapitado e seu corpo mutilado.

Os fiéis celebram com exaltação o ‘martírioá de seu imã, no dia mais sagrado para os xiitas, batendo com a mão no peito e, às vezes, se açoitando com correntes, enquanto as crianças gritam ‘Oh, Husseiná. Tomados por um sentimento de culpa, muitos se flagelam, batendo na cabeça com facões.

Um conflito político-religioso opôs os xiitas e os sunitas pela sucessão do profeta depois do assassinato de Ali, o quarto califa do Islã. Os xiitas acreditam, ao contrário dos sunitas, que a sucessão é assegura pela descendência.

Os xiitas são partidários de Ali, o primeiro imã do xiismo. Seu santuário se encontra em Najaf, outra cidade santa do Iraque. Sob o regime do deposto Saddam Hussein, a comunidade xiita, que representa de 60 a 65% da população, era proibida de comemorar a Ashura.


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